LDAR na prática: como estruturar detecção e reparo de vazamentos para reduzir emissões, riscos e custos
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LDAR na prática: como estruturar detecção e reparo de vazamentos para reduzir emissões, riscos e custos
Vazamento industrial raramente aparece como um “evento”. Ele se comporta mais como um imposto silencioso: uma pequena perda contínua que, ao longo de semanas e meses, vira custo de utilidades, desgaste prematuro, risco de segurança e, dependendo do fluido, também impacto ambiental e dor de cabeça regulatória. Em plantas com solventes, gases, VOCs ou processos mais sensíveis, esse tema ganha um peso ainda maior, porque a perda deixa de ser apenas financeira e passa a ser também reputacional e de conformidade.
LDAR como programa, não como campanha
É exatamente por isso que o LDAR (Leak Detection and Repair) funciona tão bem quando é tratado como programa e não como campanha. O LDAR, na essência, é disciplina aplicada: detectar vazamentos de forma padronizada, classificar a criticidade, corrigir no prazo certo, verificar se a correção funcionou e registrar tudo com rastreabilidade.
A diferença entre “a gente procura vazamento quando dá” e “a gente tem LDAR” aparece na consistência do ciclo e na qualidade dos dados.
Onde olhar: identificação dos pontos críticos
Na prática, o primeiro grande obstáculo é entender onde olhar. A maior parte dos vazamentos relevantes se concentra em válvulas, principalmente nos pontos de vedação externa, flanges, conexões roscadas, selos, tampas e pontos de instrumentação que sofreram intervenções ao longo do tempo.
Um LDAR que dá resultado começa com inventário: um cadastro simples, com identificação do componente (tag), área, serviço do fluido, condição de acesso e histórico de manutenção. Não precisa nascer perfeito; precisa nascer utilizável. O programa melhora à medida que você inspeciona e alimenta o sistema com informação real do campo.
Padronização da detecção
Uma vez que você sabe “o que existe”, entra a etapa mais importante do ponto de vista operacional: padronizar como a detecção acontece. O método vai variar conforme o tipo de processo e a criticidade, mas o que não pode variar é a forma de executar e registrar.
O erro clássico é medir de qualquer jeito em um mês, medir de forma diferente no mês seguinte, trocar operador, trocar método e, no fim, criar relatórios que não se comparam e não orientam a decisão. A padronização evita subjetividade e transforma o LDAR em gestão.
Definição de critérios e classificação de vazamentos
Depois vem a parte que define se o LDAR vai ser respeitado internamente: o que exatamente é “vazamento” e o que é “vazamento aceitável”. Se você não define limites e critérios de severidade, o programa vira uma discussão infinita entre operação e manutenção.
Quando você adota critérios claros de classificação, desde vazamento leve e monitorável até vazamento que exige correção prioritária, a planta para de reagir no grito e passa a agir por risco, custo e confiabilidade. A classificação também ajuda a direcionar recursos: a equipe não pode tratar todo vazamento como emergência, mas também não pode empurrar vazamentos relevantes para frente indefinidamente.
Reparo e verificação pós-intervenção
O reparo, por sua vez, é onde muita iniciativa morre. É comum ver plantas com “muito diagnóstico e pouco fechamento”: detecta, fotografa, anota e nada acontece.
O LDAR só vira economia real quando ele cria um fluxo claro de correção, com prazos e verificação pós-reparo. E a verificação é crítica. Sem ela, você não sabe se a intervenção resolveu o problema, se foi paliativa, se a vedação já está comprometida ou se existe uma causa raiz que vai se repetir.
A repetição de vazamentos, inclusive, é um dos melhores indicadores de maturidade do programa. Quando o mesmo tag reaparece em sequência, o LDAR está mostrando que não é “azar”; trata-se de especificação inadequada, falha de instalação, vibração, condição de processo, incompatibilidade de material ou prática de manutenção.
LDAR como ferramenta estratégica
É nesse ponto que o LDAR se torna estratégico. Ele deixa de ser apenas “caça vazamento” e passa a influenciar a padronização de componentes. Em muitas plantas, o ranking de recorrência mostra um padrão claro de quais tipos de válvulas e quais arranjos de vedação se comportam melhor em determinados serviços.
Em fluidos críticos, por exemplo, faz sentido olhar com mais atenção para soluções com desempenho superior em vedação externa, porque a conta do vazamento recorrente não envolve apenas o produto perdido, mas também tempo de equipe, paradas programadas antecipadas e risco de falhas maiores. Quando você conecta o resultado do LDAR com a engenharia de aplicação e com a especificação, o programa deixa de ser custo e passa a ser investimento.
Indicadores e tomada de decisão
Ao longo do tempo, o LDAR também se transforma em uma ferramenta de gestão, baseada em indicadores simples e poderosos. A planta passa a enxergar taxa de vazamento por tipo de componente, tempo médio entre detecção e correção, percentual de inspeções executadas no prazo, reincidência por área e ranking de causas prováveis.
Esses números mudam a conversa com a diretoria, porque transformam “achismos” em tendência. E tendência vira decisão: priorizar uma área, trocar um padrão de vedação, revisar uma prática de montagem, ajustar torque, melhorar acesso e reforçar treinamento.
LDAR integrado à rotina operacional
No fim, o que torna o LDAR realmente sustentável é o fato de ele se encaixar na rotina, e não competir com ela. Quando o programa é desenhado para o mundo real, com rotas praticáveis, prioridades claras, registros simples e retorno visível, ele passa a ser defendido pelo próprio chão de fábrica. A equipe percebe a redução de intervenções repetitivas, maior estabilidade do processo e menos “apagões” de causa desconhecida.
Se o objetivo é transformar o LDAR em resultado mensurável, com menos perdas, menos riscos e menor recorrência de vazamentos, a CBA pode apoiar com diagnóstico técnico, padronização de inspeções, estruturação de planos de correção e recomendação de componentes críticos para elevar a estanqueidade e a confiabilidade do processo.







